Eventos e Notícias - 2013

 

1º polo de reciclagem de lixo do país é inaugurado no Rio
A ideia é absorver 400 ex-catadores, promovendo a inclusão sócio-produtiva

Divulgação/Lixo Extraordinário

Foto do lixão de Gramacho durante as filmagens de 'Lixo Extraordinário'

Lixão de Gramacho nas filmagens de "Lixo Extraordinário": em Duque de Caxias, o Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho era o maior lixão a céu aberto da América Latina

Rio de Janeiro - Catadores do antigo lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na baixada fluminense, contarão a partir de hoje (22) com o primeiro polo de reciclagem de lixo do Brasil.

O polo foi inaugurado nesta sexta. Na primeira etapa do projeto, cerca de 140 catadores terão à disposição dois galpões voltados para o recebimento, triagem, enfardamento e estocagem de resíduos para venda.

Ao final dessa fase, prevista para o fim deste ano, a Secretaria Estadual do Ambiente vai entregar os projetos executivos do polo aos parceiros financiadores. Os relatórios vão conter os respectivos custos previstos, que indicarão a construção de mais seis galpões.

Com isso, o espaço onde funcionava o lixão terá, no total, oito galpões com maquinário, duas unidades de processamento de resíduos, além de um centro administrativo para cursos de qualificação profissional e uma creche. A ideia é absorver 400 ex-catadores, promovendo a inclusão sócio-produtiva.

De acordo com ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que esteve na inauguração, o Rio é um símbolo que vai inspirar outros estados a iniciarem projetos direcionados para ações sustentáveis.

"Nós encontramos uma forma adequada e fecunda que deu certo, juntando a capacidade de organização e luta dos catadores pela cidadania, com o apoio de entidades sociais e a sensibilidade dos governos municipal e estadual, que estimulou a criação desse projeto. Gente que era tida como margem da sociedade conseguem com essa luta dar um salto que reafirma sua condição humana e se tornam agentes econômicos importantes", disse Carvalho.

O secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que a intenção do governo é ampliar a iniciativa de reciclagem. "Nós estamos em contato com a UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro] para que eles possam nos apoiar nessa iniciativa, nos dando resíduos para que os catadores aqui possam reciclá-lo”. Segundo ele, o governo pretende implantar uma medida para que as cooperativas não esperem meses para conseguir tirar uma licença ambiental. Também haverá um trabalho de conscientização das grandes empresas.

Situado às margens da Baia de Guanabara, em Duque de Caxias, o Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho, criado em 1976, era o maior lixão a céu aberto da América Latina, e recebia diariamente cerca de 11 mil toneladas de resíduos vindos do município do Rio.

A atividade de catação no local, que chegou a recuperar mais de 200 toneladas por dia de resíduos recicláveis e reaproveitáveis, movimenta, no seu entorno, uma economia que dava sustento a mais de 15 mil pessoas.

Com o fechamento do aterro, em 2012, os catadores organizados em cooperativa e em uma associação, assumiram a responsabilidade de dar continuidade na atividade de catação e propuseram ao governo federal e estadual a criação do polo.

O lixo da capital que era levado para Gramacho passou a ser transportado para a Central de Tratamento de Resíduos do Município de Seropédica. Em parceria com a Petrobras, com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social e a Fundação Banco do Brasil, o polo de reciclagem de Gramacho conta com investimento de R$ 12 milhões. A Refinaria de Duque de Caxias (Reduc) está disponibilizando resíduos sólidos para que os catadores possam desenvolver os trabalhos iniciais.

 

 

 

 

 

Veja como são recicladas as embalagens longa vida

Papel, alumínio e plástico compõem a fórmula da embalagem que, como o próprio nome diz, dá vida longa ao seu conteúdo. Ao criar uma barreira que impede a entrada de luz, ar, água, microorganismos e odores externos, essas caixinhas isolam alimentos como leite, sucos e molhos de tomate, dispensam refrigeração e permitem que produtos perecíveis sejam transportados em longas distâncias sem estragar. Além disso, são consideradas uma das embalagens mais leves do mercado – o peso de uma unidade corresponde a 97% de produto e 3% de embalagem.

Quase um milagre. Elas foram criadas na Suécia nos anos 1950 e ganharam o mundo com a praticidade tão característica dos tempos industriais. O milagre só não é completo porque as embalagens longa vida, quando jogadas no lixo, são um verdadeiro desperdício de recursos naturais - o que acontece com várias outras “invenções” humanas que hoje se acumulam indefinidamente no planeta. Afinal, jogar um pacotinho desses no lixo é dar cabo de um curto ciclo de vida do papel, alumínio e plástico, ao mesmo tempo.

A parte boa
Embora recente, já existe tecnologia para fazer a separação dos componentes e a reciclagem das embalagens longa vida – algo não muito simples. Uma vez que os elementos são “grudados” um no outro, é difícil separá-los. As fotos abaixo dão uma ideia bastante clara:

O gargalo do problema ainda é a abrangência da coleta seletiva especializada nesse tipo de resíduo. A Tetra Pak criou o Rota da Reciclagem, sistema que aponta a localização e o contato de cooperativas, pontos de entrega voluntária de materiais recicláveis e comércios ligados à cadeia de reciclagem de embalagens longa vida em todo o território nacional. Mas nem todas as capitais brasileiras tem postos de coleta, o que impossibilita algumas regiões de entrar no (re) ciclo. Atualmente, mais de 35 indústrias reciclam as embalagens da Tetra Pak e estão localizadas nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Bahia e Distrito Federal.

Em 2011, 59 mil toneladas de embalagens foram recicladas no Brasil, o que representa 27,1% – um pouco acima da média mundial, que é de 21,6%, segundo o CEMPRE (Compromisso Empresarial para Reciclagem). Em 2012, o número aumentou para 65 mil toneladas – e as projeções são de aumento para os próximos anos.

Como é feita a reciclagem
O processo acontece em duas etapas. A primeira é a retirada do papel e posteriormente o processamento do plástico e do alumínio.

1. Nas fábricas de papel, as embalagens são jogadas em um “liquidificador gigante”, o hidrapulper (imagem acima). As fibras são agitadas com água e sem produtos químicos, hidratando-se e separando-se das camadas de plástico e alumínio. Após a separação, as fibras de papel podem se transformar em caixas de papelão, tubetes, chapas, palmilhas e produtos em polpa moldada.

2. Para separar o alumínio e o plástico, a Tetra Pak desenvolveu no Brasil a tecnologia se separação térmica em parceria com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP) e inaugurou a primeira planta do mundo para esse tipo de reciclagem em 2005. No processo, o plástico transforma-se em parafina e o alumínio (imagem abaixo) é recuperado com grau de pureza de mais de 90%. Ambos seguem principalmente para a indústria química.

3. Outro processo permite que o plástico e o alumínio sejam triturados e prensados a quente, transformando-os em uma chapa semelhante ao compensado de madeira que pode ser usada na fabricação de divisórias, móveis, pequenas peças decorativas e telhas. No caso das telhas, o plástico e o alumínio são picotados e passam por uma secagem. Então são cobertos por uma camada de filme plástico e prensado a quente. O polietileno derrete e adere ao alumínio formando uma resistente chapa. Ainda quente a chapa é colocada no molde da telha, onde adquire formato.

A animação abaixo explica o passo-a-passo da reciclagem das embalagens longa vida:

 

 

 

 

 

Aliança para a reciclagem

Autor(es): Por Sergio Adeodato | Para o Valor, de São Paulo
Valor Econômico - 20/02/2013
 

O mercado de coleta e triagem de resíduos urbanos para retorno à indústria como matéria-prima poderá atingir R$ 3,3 bilhões em 2014, se o governo federal aprovar o plano recém-apresentado por uma coalizão de 22 organizações da indústria e do varejo, prevendo investimentos para aumentar a reciclagem em 20% no Brasil, no mesmo período. A estimativa consta do estudo de viabilidade elaborado para o acordo empresarial, que inclui a redução de 22% das embalagens hoje destinadas a lixões ou aterros. O compromisso está condicionado à ampliação do serviço municipal de coleta seletiva para 90% da população nas cidades-sede da Copa, com recursos públicos. Hoje a cobertura média é inferior a 50%.

O plano é o primeiro resultado prático da lei de resíduos, que obriga a criação de um modelo economicamente viável de logística reversa a partir de acordo setorial aprovado pelo governo. "A união de forças no setor produtivo para a responsabilidade pós-consumo é inédita no mundo, com dados que demonstram ganhos econômicos e ambientais", afirma Victor Bicca, presidente do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre).

A instituição articulou a adesão de setores que representam cerca de 5 mil fabricantes, redes de supermercados, atacadistas e distribuidores, responsáveis por quase 80% das embalagens que chegam ao mercado. O foco, segundo o executivo, será "ampliar e melhorar o trabalho das cooperativas de catadores, multiplicar o número de pontos de entrega de materiais pela população e assegurar a compra das embalagens após o uso dos produtos".

O investimento, não reportado no documento entregue ao governo, será rateado conforme os percentuais dos diferentes resíduos. As doze cidades onde ocorrerão jogos da Copa são prioritárias no esforço inicial pois concentram 78% da população urbana. Se as metas forem cumpridas, poderão movimentar R$ 1,1 bilhão em 2014 com a coleta e venda de resíduos para reciclagem. Desse total, R$ 231 milhões referem-se ao faturamento anual previsto para cooperativas de catadores nessas capitais. A maior parte da receita beneficiará atacadistas de materiais recicláveis.

A proposta empresarial, que prevê uma segunda etapa de compromissos entre 2015 e 2031, está em estudo no Ministério do Meio Ambiente (MMA). Três outras iniciativas independentes foram protocoladas no fim de dezembro pelos segmentos de embalagens de vidro e aço (fora latas de tinta), e por uma organização de recicladores de garrafas PET. "É complexo trabalhar a reciclagem em cadeias isoladas para cada tipo de embalagem", ressalta Zilda Veloso, do MMA, responsável pela análise do acordo setorial. "As propostas devem ser compatibilizadas." Os documentos passarão por consulta pública e nova rodada de negociação. Segundo Veloso, não há prazo para a aprovação final da logística reversa, estabelecida pela Lei 12.305, sancionada em 2010 após duas décadas de tramitação no Congresso.

A coalizão de empresas propõe um sistema operado com base na lógica de mercado, viés social e uso da estrutura de reciclagem já existente no país, sem taxações e custos que colocariam em risco o seu funcionamento. "Trazer modelos de fora causaria um caos com desequilíbrio entre oferta e demanda", avalia Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), referindo-se aos sistemas europeu e japonês, que ditam preços e hoje precisam exportar resíduos diante da incapacidade interna de processamento. "Ninguém aumentará o percentual da reciclagem como um passe de mágica", diz. Hoje o parque reciclador de plástico PET, alvo de investimentos de US$ 200 milhões nos últimos anos, trabalha com ociosidade próxima a 30% por falta de coleta seletiva municipal. Até 2014, o setor planeja investir de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões na capacitação de catadores, educação ambiental e apoio a novas aplicações para a matéria-prima reciclada.

"As condições de mercado são compatíveis com as metas, mas o plano só será viável se as prefeituras aumentarem a coleta", analisa Bernard Appy, da consultoria LCA, coordenador do estudo de viabilidade técnica e econômica do modelo de logística reversa proposto pela aliança empresarial. O relatório calcula um benefício econômico adicional de R$ 1,15 milhão por dia, referente aos ganhos com a substituição de insumos e a redução de impactos ambientais. "Incentivos tributários poderiam aumentar em 31,5% a renda da cadeia de reciclagem no país, elevando o faturamento para R$ 4,4 bilhões em 2014", projeta.

A iniciativa, segundo ele, também contribuiria para reduzir a informalidade do mercado e ampliar o parque de indústrias recicladoras diante da maior oferta de matéria-prima, sem risco de impactos negativos nos preços.

O governo federal estima a necessidade de R$ 8 bilhões para aterros e coleta seletiva municipal. O plano é priorizar as 180 cidades que geram dois terços dos resíduos do país, mas a expectativa geral é de que dificilmente os lixões serão eliminados até agosto de 2014, como determina a lei. "Definir um plano baseado na Copa do Mundo é uma política imediatista que exclui a maior parte das cidades", diz Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional dos Municípios.

O acordo empresarial planeja inicialmente a recuperação de 32,3% dos resíduos secos recicláveis no próximo ano no Brasil. "É inegável o impacto positivo no mercado", estima Paulo Teixeira, diretor da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), para quem a educação ambiental é essencial para o aumento dos índices. A reciclagem de plástico fatura anualmente R$ 2,2 bilhões. O projeto é oferecer vantagens comerciais para a sucata, pois hoje o catador prioriza opções mais valiosas, como as latas de alumínio.

"O consumidor deve fazer o descarte correto, evitando a desvalorização dos materiais", afirma Luciana Pellegrino, diretora da Associação Brasileira de Embalagem, segmento que movimenta R$ 47 bilhões ao ano e gera um terço dos resíduos urbanos, grande parte reciclável. "Devido à capilaridade, o comércio tem papel importante no processo", completa José do Egito Frota, presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados. Em conjunto com clientes varejistas, a entidade planeja orientar consumidores e viabilizar postos para entrega de resíduos. A meta é instalar pelo menos uma estação de coleta em cada loja no país.

 

 

 

 

 

 

 

 

Entrevista de André Trigueiro à Rádio CBN:

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